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SOBRE BODES, SEGREDOS E MAÇONARIA(2ª PARTE): Quando saber guardar segredo incomoda.

2. Quando saber guardar segredo incomoda.  Passemos, então, a falar sobre o nobre compromisso do Segredo. A Maçonaria, como uma sociedade iniciática, estabelece que seus membros obedeçam, firmemente, ao comportamento de discrição e cuidado com os conhecimentos que são revelados à medida que o iniciado é elevado mais próximo à Luz, os quais não devem ser objeto do olhar  profano. É evidente que esta é uma condição historicamente comum entre sociedades iniciáticas, como se pode verificar nas chamadas culturas clássicas que afloraram no Mundo Antigo.  Mas as relações das fraternidades iniciáticas, como a Maçonaria, com o restante da sociedade, nem sempre ocorreram de modo harmonioso, sendo estas, muitas  vezes, alvos de temerárias perseguições. Antes mesmo da Fraternidade dos Filhos da Viúva, podemos ver, como exemplo dessa desarmonia, a sistemática perseguição imputada à Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, conhecida como Cavaleiros Templár...

SOBRE BODES, SEGREDOS E MAÇONARIA (1ª PARTE)

SOBRE BODES, SEGREDOS E MAÇONARIA  Por, João Andrade   M ∴ M ∴   Alguns dos grandes elementos folclóricos que vivem no imaginário do mundo profano a respeito da Sublime Ordem da Maçonaria, envolvem a lógica do Segredo e a figura do Bode. A tal ponto essas figuras alimentam imaginário das pessoas que, ao longo dos séculos, as mais estranhas estórias e acusações foram forjadas, algumas pela nítida ingenuidade e superstição, mas outras carregadas pelo preconceito e ódios tanto políticos quanto religiosos alimentados, principalmente, como veremos, pela Igreja Católica pois  não detinha nenhuma influência ou poder sobre a Ordem.  Neste breve ensaio buscaremos refletir, justamente, sobre esses dois elementos da vida maçônica e como eles se relacionam com diversos eventos históricos e suas repercussões em nossa sociedade moderna.  1. O Bode: um portador de segredos...  Uma história controversa de que um animal pode guardar um segredo, está no esteio de ...

A História que se quer esquecer, uma crônica do apagamento do nome José Maranhão em Araruna.

Por, Prof. João Andrade Desde tempos imemoriais, os seres humanos perseguem uma coisa: a sua identidade. A capacidade de definir quem somos, de onde viemos e qual o nosso lugar, constitui um poderoso instrumento, pois concede o poder de mobilizar as pessoas sob a égide dos mais diversos sentimentos. Nos últimos tempos tivemos incontáveis exemplos de como a busca pela afirmação de identidade é capaz de mover as pessoas a praticar atos que, infelizmente, foram caracterizados pela extrema violência. Ainda resta o gosto amargo dos eventos terroristas do dia 08 de janeiro, em que “patriotas” destruíram as Sedes dos Três Poderes da República, em Brasília.  Em um Estado democratico, a identidade deve ser embasa na prática da Democracia que é, antes de tudo, sustentada e alimentada pelos pilares da memória (lugares, objetos, leis, monumentos) que contém o testemunho de como a sociedade é composta, quais nossos limites e referências para a vida coletiva como um todo. Mas, é claro, esses pil...

A MAÇONARIA E A INDEPENDENCIA DO BRASIL: NOTAS HISTÓRICAS.

 Por, Prof. João Andrade.  M ∴ M ∴   N este ano de 2022, celebramos o bicentenário da Independência do Brasil e, apesar do muito que se sabe a respeito do marco referencial de seu nascimento enquanto nação, ainda resta muito por se discutir e compreender. Nesse aspecto as narrativas a respeito da participação da sociedade brasileira e suas instituições, especialmente a Maçonaria, ainda reserva um grande espaço para pesquisa e compreensão dos elementos históricos envolvidos. A respeito das reflexões sobre os eventos que levaram ao processo de separação do Brasil do Reino Unido de Portugal, na historiografia nacional, se tem a compreensão de que estes teriam sido o resultado do esgotamento do modelo econômico colonial e das consequentes tensões sociais internas da colônia, como nos indica o Márcio Maciel Bandeira (2016), em seu interessante artigo “A Maçonaria e a Independência do Brasil”, ao citar as análises de Caio Prado Júnior, importante sociól...

LANÇAMENTO DA COLETÂNEA “EXPERIMENTOS E REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA NO ENSINO DE HISTÓRIA”

   Organizado pela Coordenação do Programa de Mestrado ProfHistória/UFPB, na gestão das professoras Cláudia Cristina do Lago Borges e Priscilla Gontijo Leite, a Coletânea “Experimentos e reflexões sobre a prática no ensino de História”, publicada pela Editora do CCTA/UFPB, é composta por quatro volumes e tive a participação de 10 organizadora/es e 69 autoras/es e coautoras/es de diversas regiões do Brasil.    O trabalho da publicação demonstra o esforço e qualidades significativas na produção do conhecimento próprio da área de Ensino da História. Em tempos de obscurantismo e de ataques constantes à Ciência, à Academia e à Educação, os trabalhos da coletânea indicam que o caminho do conhecimento é sempre o mais seguro.    A Coletânea terá seus lançamentos através do Canal do ProfHistória/UFPB na plataforma do YouTube, entre os dias 25 e 30 de março sempre a partir das 18hs, contando com a participação das/os organizadoras/es e das/os autoras/es.   ...

QUANTO VALE A VIDA HUMANA?

Por, Prof  João Andrade. Foto: Sebastião Salgado. Crianças nascidas no campo de detenção Whihead para refugiados vietnamitas. Hong Kong. 1995 É interessante o quanto essa pergunta é relativizada pela própria humanidade. Sentimentos, ideias, projetos, um sem número de coisas são trazidas para esse debate. Mas quando olhamos para a história de nossa espécie, o que vemos é, no mínimo, espantoso. No decurso do tempo, e durante muitas eras, nem mesmo tínhamos o conceito que nos definíssemos como “humanos”. Somente a tragédia das guerras, da revelação da mais pura e visceral face da violência humana, nos tem feito buscar ou definir contornos para essa figura etérea que é o ser humano. Novamente, uma guerra em decurso na Velha Europa, palco de infindáveis conflitos, no impele a refletir sobre o modelo de mundo que desejamos e que estamos construindo. Mais uma vez os pensamentos de Maniqueu são ressuscitados e somos forçados a buscar dividir o mundo em 2 lados: o certo e o errado; o herói ...

Anotações sobre Patrimônio Histórico

Por,  Prof. João Andrade. O conceito de patrimônio histórico começou a ser disseminado a partir do século XIX (19), após a Revolução Francesa (1789), quando se buscou elementos que pudessem realmente definir qual a identidade de um povo. Esse patrimônio representa os bens materiais e/ou naturais que possuem importância na história de uma determinada sociedade ou de uma comunidade, e podem ser prédios, ruínas, estátuas, esculturas, templos, igrejas, praças, ou até mesmo parte de uma cidade, como temos por exemplo, o Centro Histórico de várias capitais de nosso país e de cidades também localizadas no Interior. No Brasil, temos um marco muito importante com relação à própria definição daquilo que podemos considerar como Patrimônio Histórico: trata-se da criação, no ano de 1937, do pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O IPHAN, ao logo de sua existência, tem contribuído decisivamente para o delineamento do que é o patrimônio histórico assim co...

SOBRE A POSSIBILIDADE DE PROFESSORES COM DOIS VÍNCULOS NO ESTADO DA PARAÍBA PODEREM AMPLIAR SUA CARGA HORÁRIA EM UMA OU DUAS MATRÍCULAS

Texto: Profs.Thiago Rodrigues e Felipe Baunilha.  Revisão: Prof. João Andrade.   1. A Carga horária complementar ( que conhecemos por dobra e a SEECT chama de GHA ) é facultativa: o Estado pode ofertar ao docente e o docente pode aceitar (artigo 16 da lei 7419/2003 – PCCR do Magistério Estadual). Esta carga horária complementar (jornada diferenciada) só se torna direito adquirido após o professor completar 12 anos e 6 meses com a mesma carga horária;   2. Um grande debate que está sendo suscitado é: um professor pode ou não ter carga horária superior a 60 horas semanais . A legislação vigente ( artigo 37 da Constituição Federal, inciso XVI, súmulas do STJ e do TCU, e parecer da própria Advocacia Geral da União - AGU que revoga o teto de 60 horas ), já é bastante clara: DESDE QUE COMPROVADA A COMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS, PROFESSORES PODEM SIM TER CARGA HORÁRIA ACIMA DE 60 HORAS. Confira aqui matérias sobre o tema:   Artigo: Acumulação lícita de cargos não está ...

POR QUE DEVEMOS FALAR SOBRE ASSÉDIO???

Por: João Andrade.  Professor, Historiador e Ativista.  @joaoandradedh   Antes de mais nada precisamos ter uma ideia básica sobre o que significa a palavra Assédio. O dicionário de português da Google, proporcionado pela Oxford Languages , nos oferece as seguintes definições para o termo: 1.    operação militar, ou mesmo conjunto de sinais ao redor ou em frente a um local determinado, estabelecendo um cerco com a finalidade de exercer o domínio . 2.        (FIGURADO/SENTIDO)•FIGURADAMENTE: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém. Bom, já de começo, podemos destacar que o termo assédio tem um sentido literal: exercer domínio, seja isso como objetivo militar, seja nas relações interpessoais na vida social ou no trabalho, por exemplo. E aqui entra as motivações da escrita dessas linhas: o que nos leva a praticar assédio contra quem quer que seja? E por que não reagimos? Por ...

PRESENTE DE GREGO: UM CAVALO RECHEADO DE TRAIÇÃO NA SERRA DE ARARUNA!

Por: João Andrade.  Professor, Historiador e Ativista.  @joaoandradedh Conta-se que há muitos séculos, houve um grande e longo cerco à cidade de Íllion (Troya para os romanos) que possuía muralhas intransponíveis, e somente foi vencida por um estranho presente dos invasores gregos: uma estátua de cavalo gigantesco, animal que os troianos amavam. Acreditaram que era uma oferenda de declaração da derrota dos exércitos gregos, não contaram que a estátua estava recheada de guerreiros que ao cair da noite, tomaram a cidade, queimaram e saquearam tudo o que puderam, entre outros horrores. Relembro esse evento porque, há algum tempo atrás fiz uma breve análise sobre as eleições de 2020 aqui na cidade de Araruna, Paraíba. Àquele tempo o atual prefeito foi reeleito por uma margem bem pequena de diferença e seus apoiadores e correligionários adotaram a alcunha de “cavalos” por conta do número da sua legenda partidária, o 11, que no jogo do bicho, tradicional contravenção tupiniquim, é...

E SE, DO NADA, DEIXARMOS DE ACREDITAR NA HISTÓRIA?

Por: João Andrade.  Professor, Historiador e Ativista.  @joaoandradedh Nesses últimos tempos, difíceis, conturbados, mas não inéditos, estamos sendo levados, a encarar nossas principais mazelas e nossos principais erros enquanto sociedade global e espécie integrante deste pequeno planeta que chamamos de Terra. E esse momento me leva a pensar: como nada do que estamos vendo é incomum, o que aconteceu com a memória e a história de nosso mundo? Não foi escrita? Os mnemons (homens da memória) esqueceram o que viram ou ouviram? Houve um “apagão” generalizado, causando perda coletiva dos sentidos sobre a realidade? Não foi possível apreender e aprender nada com o passado? Os livros foram rasgados? As vozes foram caladas? As perguntas se espraiam longamente, como um horizonte que foge ao caminhante que persegue a linha tênue que limita sua visão. Mas a jornada, me parece, começa a ficar tediosa e cansativa quando não sabemos onde queremos chegar ou, ao menos, que caminho tomar. ...