Por: João Andrade.
Professor, Historiador e Ativista.
@joaoandradedh
Antes de mais nada precisamos ter uma ideia básica sobre o que significa a palavra Assédio. O dicionário de português da Google, proporcionado pela Oxford Languages, nos oferece as seguintes definições para o termo:
1. operação militar, ou mesmo conjunto de sinais ao redor ou em frente a um local determinado, estabelecendo um cerco com a finalidade de exercer o domínio.
2. (FIGURADO/SENTIDO)•FIGURADAMENTE: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém.
Bom, já de começo, podemos destacar que o termo assédio tem
um sentido literal: exercer domínio, seja isso como objetivo militar, seja nas
relações interpessoais na vida social ou no trabalho, por exemplo.
E aqui entra as motivações da escrita dessas linhas: o que
nos leva a praticar assédio contra quem quer que seja? E por que não reagimos?
Por que ainda permitimos?
Uma resposta possível que me surge é que a pandemia, com sua
capacidade de ameaça real à existência humana, tem revelado o que há de pior e
mais sombrio em nós: nossos medos, desejos, e angústias mais tenebrosas, não
encontram mais as barreiras e limitações proporcionadas pela vida social.
Veja, não quero com isso dizer que o isolamento nos
transformou em monstros. Mas, pelo que tenho visto, me parece que, com iminência
do fim, muita gente ao invés de buscarem uma posição de empatia e solidariedade,
apenas recrudesceram em suas trevas pessoais e sociais e se acham na liberdade
de dizer ou fazer o que bem quiserem.
É preciso também dizer que esse comportamento de liberdade
sobre os desejos, mesmo que estes sejam danosos aos outros, está fortemente lastreado
por um discurso político que ganhou as mentes e libertou os corações: o
neobozofacismo liberalista. Aqui, evidentemente, uso de uma hipérbole para
tentar sintetizar o fascismo à brasileira disseminado pelo governo Bolsonaro e seus
asseclas acéfalos.
Trago para essa breve opinião sobre um deplorável comportamento
social a tese de responsabilização política do atual presidente, justamente por
conta das inúmeras vezes em que o mesmo demonstrou naturalidade e praticou contumazmente
o assédio em suas mais diversas formas.
E então fica a regra: o exemplo do líder orienta os asseclas,
ou, se o presidente fez é porque qualquer um pode fazer. Isso, simplesmente, é
extremamente perigoso, pois as consequências, geralmente, têm o custo de vidas.
Não por acaso, tenho visto nas redes sociais mais e mais
mulheres (principais vítimas das formas mais asquerosas de assédio) se
levantarem contra esse tipo de comportamento. Mostrando que há penalidades,
pois o assédio é Crime em nosso país, e não só aqui.
Recentemente um médico, influenciador digital, foi preso enquanto
viajava pelo Egito, acusado de assédio sexual a uma vendedora de papiro. E o pior,
se é que já não é vexatório o bastante, a defesa do assediador afirmou que foi
apenas uma brincadeira comum no Brasil, ou seja, é comum sairmos assediando
qualquer mulher, pois elas acham engraçado serem desmoralizadas. Isso é absurdo!
Mas, como apontei acima, nem todo mundo está aguentado isso
quieto ou calado. As reações estão surgindo de formas fortes e autênticas,
feitas por pessoas que não aguentam mais ficar caladas defronte de
comportamentos deploráveis como é o assédio.
Me junto a essas vozes, e convido você cara leitora e caro
leitor, a juntar-se da forma que puder na luta pelo fim de todas formas de assédio:
seja ela moral, verbal, psicológico ou sexual.
Respeite para ser Respeitado!
Diga não ao Assédio!
Assédio é Crime!
Fonte da imagem: https://ecuadortoday.media/2019/03/29/9-mitos-sobre-la-violencia-de-genero/

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